quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Não uma manhã qualquer


Primeiro sentiu as coxas roçando suavemente o fino lençol. Sentiu um leve arrepio quando os pelinhos de seu ombro direito passaram pelos do tecido.

Estava fresco, podia sentir, ao contrário do calor da noite anterior.

Sob as pálpebras ainda cerradas penetrava uma leve luz rosada.

Espreguiçou-se toda, e acabou batendo os punhos contra a parede atrás de sua cabeça. Foi nesta hora que abriu os olhos. Correu todo o quarto com eles, todo cheio de uma luminosidade azulada. 

Olhou o relógio sobre o criado mudo à esquerda: 8h25.

Sentou-se sem pressa sobre o travesseiro, ainda mantendo suas pernas nuas cobertas pelo lençol. Ergueu-o por alguns instantes: estava só de calcinha, e uma blusa curta sem mangas, de tecido bem leve.

A cortina da janela moveu-se quase imperceptível. Estendeu a mão direita até ela, puxou-a um pouco para o lado. Uma luz dourada e levemente enevoada penetrou aquela fresta que trazia o dia lá de fora um pouco pra dentro.

"É domingo.", pensou ela, "13 anos desde aquele dia..."

"Oi, minha princesa!"

Virou-se bruscamente, olhou para o homem alto encostado contra a porta do quarto. Segurava duas canecas.

"Oi!", respondeu sorrindo.

"Parabéns", disse ele, aproximando-se, e entregando uma das canecas pra ela "13 anos! Quem diria, não?"

"Sim...", ainda sorria quando tomou  a caneca das mãos dele.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Manga e a Manhã de Sol - Parte 12


- VOCÊ fez minha noite ficar mágica! - disse Sam, olhando fixamente naqueles lindos olhos verdes.
- Bobo. Ela não teria graça sem você.

E ambos sentiram aquela energia gostosa que causa arrepio nos amantes recém-apaixonados, quando nada mais resta a não ser entregar-se a ela. Beijaram-se naquele cenário mágico, debaixo daquela chuva que trazia à tona um brilho somente visto por olhos aguçados pelo amor.

- Nossa... - disse ela, dando um breve suspiro, e sorrindo.
- Que foi?  - disse ele, ainda abrindo os olhos.
- Deu um quentinho gostoso agora.

Sam também sorriu, abraçado a ela pela cintura.

- Como pode? - indagou ele.
- Como pode o quê?
- Como pode você ter um sorriso tão lindo?
- O seu também é lindo, bobão. Dá vontade de comer. - e deu uma leve mordida no lábio inferior dele.
- Também quero um pedacinho do seu - e mordeu de leve o lábio superior dela.

Voltaram a se beijar. Foi um beijo cheio de paixão, de línguas dançantes e lábios deslizantes. Um beijo de entrega, que fecha o mundo ao redor num globo de vidro habitado apenas por duas pessoas que, por alguns minutos, esquecem que são duas, e tudo se torna um "quentinho gostoso", um só coração pulsante, querendo abraçar o mundo com toda a força do sangue que corre quente e intenso em suas veias, e o torna maior e maior...

- Eu acabo de ter uma idéia genial! - disse Sam.
- Ah é? Qual?
- Você podia ser minha namorada!
- Hahaha! Nossa, eu "nunca" teria pensado nisto!
- E então, o que acha?
- Eu aceito, mas com uma condição.
- Qual?
- Que você também seja meu namorado!
- Hmm... Deixa eu pensar... Tábom,eutopo!

E depois de se beijarem mais uma vez pra comemorar, saíram de mãos dadas, sem ligarem nem um pouco pro fato de estarem encharcados. Conversaram mais um pouco sobre a exposição, sobre o quanto Sam havia achado simpática a avó de Helena, apesar de terem se falado muito pouco por telefone, e de como "Sam e Helena" soava bem aos seus ouvidos.

As horas passaram sem que se dessem conta, até que Helena olhou rapidamente para o relógio de Sam.

- Nossa! Quase uma da manhã!
- Puxa. Nem me toquei nisto. Você precisa ir?
- Sim. Minha avó deve estar preocupada. Não disse que eu ficaria até tão tarde na rua.
- Quer ligar pra ela?
- Não, é melhor eu ir.
- Que pena.
- Mas a gente volta a se encontrar.
- Quando?
- Bom, amanhã não vai dar. Tenho que fazer umas coisas...
- "Coisas"? Que "coisas"?
- Mas é curioso mesmo, né? Coisas, ora! Depois te conto.
- Certo, então vou ficar morrendo de curiosidade até lá.
- Podemos sair no sábado. Vai ter o show de uma banda num barzinho que costumo ir com meus amigos. Ouvi dizer que é boa.
- Amigos, é?
- Sim, por quê?
- Vai querer me apresentar pros seus amigos?
- Ué, por que não?
- É, não tem por quê. Mas... peraí! Você disse sábado?
- Sim.
- De que banda você tá falando?
- Os Illuminators.
- Eu toco nessa banda!
- Sério?!
- Aham! Toco baixo.
- Nossa, que demais!
- Posso tocar uma música pra você.
- Mas que namorado mais multimídia eu arrumei!
- Viu? Você é uma sortuda mesmo.
- Convencido.
- Claro que sou! Afinal, agora estou namorando uma princesa.
- 'magina! Não sou essas coisas todas não.
- Claro que é. Você é a Princesa das Fadas, só que anda meio desmemoriada ultimamente. Mas já já vou fazer você se lembrar disto.
- Ah é? Como?
- Bom, tem muitos métodos. Um deles é este.

E mais uma vez o mundo sumiu, seus lábios se tocaram, e Helena seria capaz de jurar que por alguns segundos ela viu pessoinhas luminosas com asas voando ao seu redor.


CONTINUA...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Aprendendo a voar


Learning to fly (por Ploop26)


"Não solta, não solta! Eu tenho medo." disse ela tremendo-se de medo.
"Ah deixa de ser bobona reprimida. Não tá vendo que isso é um mundo mágico? Claro que a gente não vai cair."

"Mas, mas..."
"Ora vamos, aproveita o vento. Olha só que lindas aquelas florzinhas e aquela árvore que eu plantei pra você com a minha imaginação!" 

"São tão lindas. Exatamente como eu sempre sonhei e quis!" disse ela com o coraçãozinho explodindo de alegria.

E eles pedalaram por horas naquela bicicleta voadora, no mundo cor de rosa que ele tinha feito com a imaginação só pra ela, só pra eles.

Finalmente ele encontrara a cura para a tristeza dela. Finalmente depois de meses buscando incansavelmente, ele encontrara o sorriso que ela havia perdido.

E ela o amava por isso, e amaria por todo sempre... Sempre e mais seis meses.


(Micro-conto originalmente escrito em 25/09/2008)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Manga e a Manhã de Sol - Parte 11


- É... é...é... Helena... Eu... Eu... Euqueriatechamarprasair.
- Ahn?
- Eu... Queria te chamar pra sair. A gente até hoje só se encontra por acaso em lugares meio nada a ver, pensei que seria legal te chamar pra sair, mas se você estiver ocupada, ou não estiver afim... Tudo bem... Fica pra outra vez.
- Não, não... Quer dizer... Sim, vamos sim! Eu adoraria! E então, alguma ideia de onde podemos ir?!
- Então, abriu uma nova galeria de arte, e eu to querendo ir lá tem uns dias... Você gostaria de ir comigo? Depois podemos tomar um café, ou ir a um restaurante, sei lá...
- Uau! Amei... Combinado!
- Nos encontramos no mesmo ponto de ônibus de sempre? perguntou Sam ansioso.
- Claro! Te espero às 18h lá... Tá bom esse horário pra você?
- Perfeito!

Todo o cansaço do trabalho foi embora no exato instante em que Helena aceitou sair com ele, correu em direção ao guarda roupa, tentando achar uma roupa mais apresentável, nada estava à altura de Helena para ele, mas se a havia conquistado mesmo com aquelas roupas velhas... Ela não devia ligar muito pra isso...

Enquanto isso Helena correu para o chuveiro, lavou os cabelos pacientemente, colocou um vestido soltinho florido, deixou secar naturalmente os cabelos, distraidamente passou perfume e um brilhinho nos lábios... Estava pronta. E ansiosa.

Não demorou muito pros dois se encontrarem no ponto de ônibus.

Sam estava extasiado com a beleza de Helena, nem mesmo em um milhão de anos veria alguém tão bela quanto ela, ou tão... Helena.

- Você está... Linda! disse embriagado pela beleza dela.
Ela corou... tentou esconder um sorrisinho... Obrigada Sam, você também está lindo.

O caminho até a galeria foi meio silencioso, apesar de já terem até se beijado, ainda havia certa timidez entre os dois.

- Nossa essa mistura de fotografia com quadrinhos é um máximo você numa acha Helena? disse Sam com os olhinhos brilhando.
- É são realmente incríveis! Queria saber fazer algo assim!
- Posso te ensinar um pouco do que sei se você quiser...
- Você faria isso? Jura? disse Helena empolgadíssima.
- Claro que eu faria linda! Juro! E só então se deu conta de que a havia chamado de linda... E ficou tímido...

Mais uma vez tudo virou silêncio e sorrisos contidos...

Ao saírem da galeria mais uma vez estava chovendo...
- Ai ai a gente é um daqueles casais que só se faz chover mesmo né?! disse Sam.
- Estou começando a acreditar nisso... Mas veja pelo lado bom... Olha como ficam bonitos os paralelepípedos molhados sob as luzes dos postes.
- Tem razão, faz a noite ficar mágica.

CONTINUA...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Manga e a Manhã de Sol - Parte 10


"Cara, que loucura!", pensava Sam enquanto corria pela calçada, "Não acredito que eu fiz aquilo! Roubei um beijo de uma garota que mal me conhecia, e ela levou numa boa! E se ela chamasse a polícia, e me acusasse de abuso sexual? Cara, eu me arrisquei demais! Mas foi bom PRA CARALHO! É o melhor dia da minha vida, sem dúvida O MELHOR!"

- HAHAHA!! O MELHOR!

Uma senhora passou bem ao lado dele e o olhou assustada.

- Sim, eu sou louco mesmo, minha senhora! LOUCO DE AMOR!

Ela seu um sorrisinho meio nervoso, e seguiu seu caminho, olhando-o com desconfiança.

- Agora eu enlouqueci de vez... Melhor eu me conter... Ah, que se foda! Eu tô feliz hoje! Tenho mais é que aproveitar!

"Mas, cara, o que foi aquilo afinal? Mais parecia um sonho do que a vida real! Quando é que duas pessoas atarefadas param tudo que estão fazendo, sentam no meio de uma calçada movimentada, pra jogar conversa fora e se beijarem?!"

- Sam, tem horas que você é chato pra burro! - disse em voz alta pra si mesmo - Vê se pára de racionalizar tudo!

"Algumas coisas simplesmente acontecem", continuou em pensamento. "Ela tá caidinha por você, e você por ela, e isto estava evidente desde o primeiro encontro. Você só não notou porque estava hipnotizado por ela. E, pôxa!, vocês ficaram 2 semanas sem se verem!"

- Mesmo assim, foi louco demais - falou de novo, agora com a voz mais baixa - Não conversamos nem meia hora da primeira vez, e de repente ela aceita numa boa aquele beijo. Sério que eu não tô sonhando?
- Hein? - disse um rapaz que passava ao seu lado.
- Nada não. É comigo.
- Cada louco que me aparece... - o rapaz resmungou, e seguiu seu caminho.
- Ok, vamos trabalhar agora, que a vida não é só diversão.

Sam trabalhou distraído o dia inteiro, e mal sentiu o tempo passar. Chegando em casa no final do dia, foi logo se enfiando no chuveiro, tomou um banho rápido, e pegou o telefone. Preciso realmente dizer pra quem ele ligou?

- Alô?
- Ah, oi! Aqui é o Sam. Com quem eu falo?
- Dalva. Com quem você quer falar?
- Aí é da casa da Helena, certo?
- Sim.
- Ela está?
- Só um segundinho que eu vou chamar.
- Obrigado.

(espera)

- Sam?
- Helena!


CONTINUA...

sábado, 17 de novembro de 2012

A Névoa Rósea e o Rapaz Azul

redrum - forgotten scent (de kidchan)


Henelle sentia não existir mais nada neste mundo que valesse a pena. Perdera tudo que tinha algum valor pra ela. Sentia-se abandonada por todos, desprotegida, como se estivesse nua debaixo de uma chuva fria, e tudo que restasse a ela fosse morrer de uma gripe que não tinha a menor vontade de curar.

Era isto que ela sentia quando a atmosfera em torno dela alterou naquela noite, no meio do parque, onde resolveu que ficaria sentada até o amanhecer, sem ceder um só centímetro pra qualquer sonho que tentasse arrebatá-la no meio de um sono que ela se esforçava para não vir.

Tudo assumiu um tom róseo-purpúreo, e do meio daquela névoa de cores mágicas, surgiu o rapaz azul.

Ele ficou olhando-a sem dizer uma só palavra, com um sorriso no rosto que parecia falar tudo que ela queria ouvir, embora não soubesse exatamente o quê.

Só foi capaz de levantar-se daquela grama fria e apática, e aceitar o abraço que o rapaz azul lhe oferecia.

"Vai ser tudo diferente agora, não vai?"

E ele fez que sim com a cabeça.


(mini-conto originalmente escrito em 18/11/08)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Manga e a Manhã de Sol - Parte 9


"Smack!" beijo roubado, beijo selinho, beijo com gosto e friozinho na barriga de primeiro beijo, os dois sentiram exatamente o mesmo, era pra ser, estava escrito, Helena era de Sam e Sam era de Helena.

- Caraca, você sentiu isso? Perguntou Helena espantada.
- O friozinho?
- Aham! E sorriu com o sorrisão que preenchia os dias e pensamentos de Sam.
- Puxa foi tão... tão... E ficou mudo tentando encontrar a palavra.
- Assustador?! Disse ela levantando a sobrancelha.
- Sublime!
- Sublime?! Caramba, você realmente foi fundo agora! Taí, sublime, gostei! E sorriu novamente.

Mas por um instante Sam se distraiu a danada tratou de roubar um beijo dele.

- Trata de devolver meu beijo, mocinho! Humpf!
- Mas você é mesmo uma boba né?!
- Eu? Por quê? Só peguei de volta o beijo que você roubou de mim... hehe.
- Helena você realmente pensou em mim esse tempo todo?
- Claro que pensei seu bobo. Por que eu não pensaria?
- Não sei, sou louco, e bobo, e sei lá...
- Deixa de besteira, você não é nada disso, aquele dia no café foi incrível, a gente se entende, eu gosto de conversar com você. E você até me desenhou, acho que isso significa algo não é?!

Ele ficou ali parado olhando pra ela, tentando encontrar as palavras certas, hipnotizado com o sorriso, feliz com o destino que os unira mais uma vez, mesmo que de outra maneira bizarra.

- A gente só se encontra em situações doidas e estranhas né?! Perguntou ele sorridente.
- E que graça tem ser normal? Normal e igual tem de monte nesse mundo! Gosto das coisas serem diferentes com a gente, e sorriu meio sem jeito.
- Tem razão, mas a gente devia... vixe, perae, celular vibrando... Droga, calma...

- Aham entendi, eu sei, eu sei... Calma, estou a caminho Roger, relaxa cara. Tá, tá entendi... Não precisa falar um milhão de vezes... to indo.

- Você precisa ir né?! Disse em voz baixa.
- É acho que se eu não for vou acabar perdendo o emprego, to ficando mestre em me atrasar parece.
- Tudo bem, eu tenho que pagar as minhas contas também senão a minha vó vai encher meus ouvidos quando chegar em casa... hehe.
- Mas antes de ir, você vai me dar seu telefone certo?
- Hmmm, deixe-me pensar... tá bem vai, mas só se eu puder ficar com o desenho.
- Combinado! e abriu um sorrisão daqueles. Posso te ligar pra marcarmos algo um dia desses?
- Você tá me convidando pra sair?! Suas bochechas coraram.
- Hmmm, talvez!
- Agora você está sendo malvado.
- Eu nunca sou malvado, e roubou outro beijo dela e saiu correndo. Sou ladrão dos seus beijos, dos beijos de Helena, gritou de longe e riu.
- A gente se tromba! Gritou ela rindo também.

CONTINUA...